Vamos colecionar cicatrizes, sim senhor!

Uma coisa vem tamborilando aqui na minha cabeça. Dessas coisas que achamos que só acontecem com a gente!

O medo do desconhecido e o apego ao que já nos é confortável.

Somos criados em uma redoma, e creio que a expressão redoma de vidro não seja tão conhecida assim, à toa. Para sair dessa redoma de vidro precisamos quebrá-la e isso com certeza nos machucará ou modificará de alguma forma e consequentemente nos deixará cicatrizes. E é exatamente assim que acontece. Mas, cicatrizes não significam somente lembranças de situações ruins.

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Eu mesma, tenho uma cicatriz pequena na mão direita, e a história por trás dela, não é ruim… pelo contrário, é uma boa lembrança de infância, de um dia em que minha irmã, que também ficou com uma cicatriz um pouco maior nas costas, e eu queríamos muito ir na casa de uma tia que mora na mesma calçada da nossa casa. Nossa mãe não queria deixar. Como nossas casas são próximas e na época tinha somente um grande terreno baldio entre elas, pensamos: “Vamos pelo quintal”. Só que o quintal era um pequeno barranco cercado por arame farpado, cuja cerca tínhamos que passar por debaixo, e daí vieram as cicatrizes. Foi uma aventura e se não tivéssemos essas cicatrizes talvez não iríamos lembrar com tantos detalhes desse dia, em que saímos da redoma de vidro em que fomos criadas. É um exemplo bobo, mas muito verdadeiro.

Enquanto formos fechados para o novo, para o desconhecido, nunca iremos colecionar as tais cicatrizes que são essenciais para o crescimento, para nos tornar mais fortes e capazes. Por isso, sejamos mais abertos ao desconhecido! Vamos colecionar cicatrizes, sim senhor! São as cicatrizes, visíveis ou não, que irão nos fazer recordar o quão bom foi sair da nossa zona de conforto e se aventurar, ou o quão ruim foi essa experiência, porém, necessária para que aprendêssemos alguma lição.

Muitas vezes me sinto apegada ao que já tenho e faço, “assim já está bom” – penso. Quando me chamam para algum projeto então, o medo passa na frente, olho em volta e logo percebo a espessa camada transparente de vidro que me impede de dizer um simples sim , pelo medo de me machucar com os cacos que irão se dissipar quando eu quebrar minha redoma. É uma guerra interna. Quando isso acontece procuro pensar em não me auto sabotar, não me fechar para as novas experiências, não me apegar ao que já me é confortável… afinal, é através dessas pequenas brechas em nosso dia a dia que nos libertamos, que conhecemos um pouquinho mais, seja do mundo, do meio em que vivemos ou de um pedacinho do mundo de outras pessoas, conhecimento esse que nos acrescenta e com certeza nos ajuda a construirmos nosso próprio mundo.

Não deixe o medo te privar de viver coisas novas & conhecer pessoas novas. 

Cicatrizes, não tenha medo de colecioná-las!

{Afinal, se você não as quiser mais é só fazer uma tattoo para cobrir! hahaha}

*Ilustração por Geraldine Sy – encontrada no blog Teoria Criativa.

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