A procura do transcendental

As pessoas se espantam quando a resposta para a pergunta que fazem é: “Eu não tenho religião”. Na realidade eu nunca me importei com a reação delas sobre o meu não pertencimento à uma doutrina religiosa (até o momento). Mas o que sempre me incomoda é o fato de associarem a minha não religiosidade à descrença em Deus. E sim, eu creio Nele!

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No primeiro semestre de faculdade tivemos aula de Antropologia Religiosa. A partir dessas aulas, comecei a me sentir incomodada pela definição de religião:

Religião = Religação

Logo pensei: “Estou desligada de Deus então?”

Apesar de nunca ter feito parte de uma igreja física feita de tijolos (digo isso por acreditar que a igreja somos nós e está dentro de nossos corações), sempre tive contato com diversas religiões. Estudei em um colégio Adventista, no qual fazia parte do coral, e atualmente estudo em uma faculdade católica, a Faculdade Canção Nova. Fora esses contatos através de instituições educacionais, cheguei a visitar algumas vezes a igreja Batista (protestante).

Certa vez, quando estudava no colégio Adventista e estava fazendo um trabalho de panfletagem em uma praça no centro da cidade, uma senhora parou para pegar o papel de minhas mãos e perguntou se eu era Adventista. Quando respondi que não era, ela logo me disse: “É, tem gente que não se deixa ser tocada mesmo!” e saiu. Na época nem me abalei, era nova e não estava nem aí para religião. Mas nunca pensei que a fala dessa senhora iria um dia ecoar na minha mente, como agora que sou adulta.

{Será que todo esse tempo fui realmente alguém com o coração frio & intocável?}

Diversos acontecimentos me fizeram começar a refletir de umas semanas para cá em relação à minha procura pelo transcendental, principalmente o difícil ano que meus amigos e eu estamos tendo, proveniente da perda um grande amigo. Essa perda naturalmente transformou de alguma maneira, perceptível ou não, cada um de nós. Percebi como a vida é frágil e como de uma hora para outra podemos partir desse mundo superficial e passageiro, para vivermos em um mundo infinito ao lado do nosso Criador e o quanto isso pode ser assustador para uma pessoa que não tem base religiosa para lidar com isso.

Ansiosa que sou, comecei a pensar no futuro e em minha futura família. Penso que não quero impôr à meu futuro filho (ou filha) uma filosofia de vida como a religião, mas percebo que é o nosso dever como futuros pais e educadores guiá-lo e prepará-lo para enfrentar esse mundo repleto de pessoas preconceituosas que infelizmente valorizam mais o TER uma religião como status ao enxergar o real valor de ser uma pessoa verdadeiramente religiosa, logo, ligada à Deus. E é nosso papel guiá-los para que escolham ser a segunda opção nesse caso.

Ainda não estou totalmente preparada para me converter, seja no catolicismo ou no protestantismo. Mas agora eu sei que preciso mais do que uma igreja. Continuo acreditando que a igreja somos nós, ela pulsa em nossas veias, está em cada gotícula do nosso sangue. Está na natureza, no silêncio ou em uma música, no ar que oxigena nossas mentes e nos traz a capacidade de discernimento. Está nas minúcias da nossa vida, na reflexão diária e no sentimento de gratidão. E através dessa igreja, presente em nós e em todas as coisas e sentimentos bons ao nosso redor, que sigo a procura por minha própria experiência transcendental, mas também tenho consciência de que os rituais religiosos são compromissos firmados com Deus, entretanto a religação entre Ele e eu, acontece quando permito que Ele me transforme em uma pessoa melhor e só Ele pode fazer isso!

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2 comentários em “A procura do transcendental

  1. Concordo com você, passo pelos mesmos problemas em relação ao preconceito. Não sou religiosa e nem sou ateia, acredito no que acredito. Encontro Deus em mim e na Natureza (incluo o ser humano aí). Por não seguir uma “religião” alguns acreditam que não tenho fé em nada. Tenho fé nas pessoas ainda e por isso me decepciono muitas vezes, mas nem por isso deixo de acreditar pois também encontro muita alegria, mesmo onde parece não haver. Afinal, tudo faz parte de um todo bem maior. A vida é feita de equilíbrio, o bom e o mau convivem igualmente. Se alguém me faz o mal, me afasto e deixo que se consuma só, reso do meu jeito por ele. Grande reflexão a sua, perdi dois amigos e um primo no espaço de um mês e aquilo no que acredito, continua a me sustentar. Não se preocupe com rótulos, são apenas rótulos no final.
    Bjss querida.

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